Quem é o Rei aqui?
Ensaiar o suficiente para não fazer besteira; ousar o suficiente para não ficar apagado; fazer além para alcançar ao menos um. Os Reis da Cocada Preta estão dispostos a tocar o som que diverte a eles e anima muito aos que vão aos seus shows. Com trajetória comum à outras bandas pós-myspace, o grupo lançou músicas em sua página e foi o suficiente para todo mundo decorar e cantar junto nas apresentações.
Suas canções tanto inflamam como fazem platéias pararem a bagunça pra pensar. Não é nada difícil observar fãs cantando com os olhos fechados, como se sonhassem com o que é dito nas letras. A capa do CD veio cheio de idéias simbólicas que nos fazem refletir sobre o que é de verdade “ser rei” nesse mundo de “Rainhas da Idade da Pedra” (Queens of The Stone Age) ou dos “Golpes” bêbados (The Strokes). Bandas que influenciam bastante no som, mas, muito pouco no conceito. E isso é muito bom.
A verdade é que o nome da banda pode ser uma pegadinha para alguns: eles realmente se acham tudo isso? A origem da expressão é incerta, mas, seu significado nos remete a alguém que está em estado de bastante pretensão. Rockeiros que são, não deixaram de lado a ironia saudável ao estilo: a verdade é que são humildes e bem humorados, distribuindo cocadas (de verdade!) nos shows. O sarcasmo não pára por aí e entra com todo gás em músicas como “Este é o meu país” – refletindo sobre o atual estado da política brasileira…
Ouvir seu primeiro EP, lançado em junho, é repensar como anda a esperança dessa geração. O atual rock pós-niilista (se é que isso é possível) mergulhou de verdade no fim das utopias e poucos são os que questionam o porquê disso tudo – e é isso que Os Reis fazem. Letras que expressam sonhos, verdades e também questionam a juventude consumista, como em “Fetiche” – primeiro single da banda, lançado no YouTube através de um videoclipe promocional.
Os Reis da Cocada Preta, formado por Janz (vocal/guitarra), Cerveira (guitarra/back), Felipe (baixo/back) e Diego (bateria), faz shows divertidos, dançantes e bem humorados: tocam versões que passam por Bloc Party, Queens of The Stone Age, Gram, Los Hermanos e até Zéu Britto. Os Reis acabam de lançar seu videoclipe oficial, da música “Monólogo Sobre a Mudança” e, recentemente, tocaram ao lado de Zeferina Bomba e Rock Rockets no maior festival de rock de João Pessoa, o Aumenta Que É Rock. Indícios de que não são somente mais uma banda ou, realmente não se acham reis de qualquer cocada. Mas, fazem um som para o bom ouvinte dançar, pensar e realmente ser o rei.
ouça o som e veja os vídeos no myspace.
Ricardo Oliveira é estudante de jornalismo e edita diariamente a revista eletrônica de arte e comunicação DIVERSITÀ
