A Centralidade da Cruz

10 setembro, 2007

“Na teologia histórica cristã a morte de Cristo é o ponto central da história; para aí todas as estradas do passado convergem; e daí saem todas as estradas do futuro.” – Stephen Neill

Para muitos, um símbolo de esperança, para outros, a morte. A cruz tem gerado sentimentos controversos, até mesmo para nós cristãos. O apóstolo Paulo diz que a “cruz é loucura para os que não crêem”. Ele referia-se aos gregos, que com o seu pensamento lógico e racional não poderiam admitir “… uma pessoa de mente sadia adorar como deus um homem morto, justamente condenado como criminoso e submetido à forma mais humilhante de execução? Essa combinação de morte, crime e vergonha colocava-o muito além do respeito, sem falar da adoração” (A Cruz de Cristo, John Stott). Ao mesmo tempo, os muçulmanos não aceitam o fato, pois para eles, ninguém pode expiar as culpas de outrem. A continuação do texto do apóstolo Paulo diz, “mas para nós é poder de Deus”.
O homem tem a necessidade de colocar a cruz no centro de sua vida. Quem quer ser discípulo deve tomar a sua cruz a cada dia e seguir Jesus, Ele mesmo disse.
Quando olhamos para a cruz, lembramos de nossa real condição espiritual. Quando olhamos para a cruz, vemos nossa condição miserável e a necessidade de salvação. A centralidade da cruz em nossas vidas nos dá condição de perceber a vontade de Deus para nós, e por conseqüência o cumprimento fiel desta vontade. Cristo quando foi para a cruz, na realidade já estava morto, não o seu físico, mas suas vontades. Ele não vivia para Ele, mas para o Pai. Muitos cristãos falam de boca cheia, “não vivo eu, mas Cristo vive em mim”. Essa declaração coloca a cruz de forma intrínseca na nossa alma. Declaro então que sou um morto vivo, condição melhor para mim, e não um vivo morto, meu estado carnal e distante de Deus.
No mesmo patamar, a Igreja deve centralizar a cruz em todas as suas atividades. A cruz é o símbolo de nossa fé. Foi através dela que o Senhor nos leva de volta ao Pai, resgata o homem e o liga novamente a Deus. Cristianismo difere de outras religiões pelo simples fato de o homem não precisar realizar nada para se aproximar de Deus e alcançar a salvação. Deus se encumbiu disso.
Muitas igrejas têm deixado de lado a pregação da cruz, acham “forte” demais falar sobre condenação e morte, pecado… pode assustar seus membros.
Cito P.T. Forsyth, congregacionista inglês em seu livro “A crucialidade da cruz, 1909” – “Cristo é para nós o que é a cruz. Tudo o que Cristo foi no céu ou na Terra foi colocado no que Ele fez aí… Cristo, repito, é para nós justamente o que a cruz o é. A pessoa não pode compreender a Cristo até que compreenda a sua cruz.”
John Stott estuda profundamente a cruz de Cristo em seu livro homônimo, e declara porque a Igreja primitiva escolheu a cruz como símbolo. “Desejavam comemorar, como centro da compreensão que tinham de Jesus, não o seu nascimento nem a sua juventude, nem o seu ensino nem o seu serviço, nem a sua ressurreição nem o seu reino, nem a sua dádiva do Espírito, mas a sua morte e a sua crucificação”.
A centralidade da cruz na vida da Igreja e na nossa vida é compreensiva pelo simples fato da negação do nosso EU. A morte do Ego foi decretada na cruz, pois lá está o modelo de como devem agir os verdadeiros cristãos.
Relacionar-se com Deus passa pela cruz. Jesus declara ser o único caminho para o Pai e é na cruz que o véu rasga-se por inteiro, e o nosso acesso é liberado desde então. Há quem diga que o simbolismo da cruz passa a idéia do relacionamento Deus/homem e homem/homem, no braço vertical representa o acesso a Deus e no braço horizontal, o nosso relacionamento com nossos irmãos.
Não importa como você enxerga a cruz, importa sim, que devemos levar cada um a sua. Na versão da Linguagem de Hoje, a Bíblia diz ter a morte que eu vou ter. Jesus não fala aqui de morrer na cruz, todos nós crucificados, antes fala na realidade de deixar de lado nossas vontades, buscar a vontade do Pai, matar nossa carne e nosso Ego.
A centralidade da cruz traz a importância e coloca novamente em evidencia a teologia do Mediador, de um Cristo mediador entre Deus e os homens. Ele no centro, assim como curiosamente a sua cruz ficou ao centro, entre os dois ladrões.

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3 Respostas to “A Centralidade da Cruz”

  1. deh Says:

    oie! Valeu pelo link do celva aqui! Ficou sabendo da gente como?
    Te vi na nossa comunidade no orkut 🙂
    um beijinho

  2. thiagoc Says:

    eae mano..

    cara parabens pelo blog… conheci atraves do dashboard do wp.

    vo te linka lah no meu logo logo… to criando uma lista pra linka tudo de uma vez…rsrs

    um abração e passa lah no http://www.sabadoanoite.wordpress.com


  3. Finally I found direst answers! Funny SMS


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