Uma igreja morena

12 fevereiro, 2008

Gosto muito e acho interessante esse título, pois particularmente pra mim reflete o que somos como igreja brasileira, uma igreja morena. Uma igreja de sol, praia e costumes bem peculiares.
Lendo o texto de Cantares 1; 5 e 6, vemos que a sulamita é uma mulher morena e que inclusive, ela pede às suas amigas que não a desprezem. É interessante que historicamente dentro do contexto cristão, nós brasileiros, não somos levados muito a sério. Também, por décadas importamos modelos comportamentais, metodologias, cânticos e músicas  de Igrejas norte americanas, brancas e segmentadas. Pra piorar a situação, há quem renove hábitos judaicos da época de Jesus ou até mesmo antes dele.
Nada contra, mas também não sou muito partidário desta prática.
Sou brasileiro, tenho minhas características próprias, meus problemas e minha cultura.
O que precisamos aprender é não “demonizar” a cultura popular com doses cavalares de  intolerância dita cristã, mas sim, nos conscientizar de quem somos, e santificar a nossa cultura com amor e a verdadeira mensagem de liberdade em Deus.
Em primeiro lugar, devemos nos conhecer, saber quem somos, ter conhecimento das nossas mazelas sociais, da nossa pobreza, física e espiritual. Fazer como diz a música de Cazuza: ” Brasil, mostra a tua cara…”
Temos muitos valores bons: nossa música é bela, somos um povo musical. Dizem inclusive que nossa língua parece um canto, que falamos cantado. Somos alegre, festeiro. Quem não consegue ficar parado com uma batucada? Sou roqueiro, gosto de rock de diversos estilos, mas confesso, é impossível você não ser contagiado com um som de tambores e atabaques.
Nossas festas, quantas cores, quanta alegria, quanta arte! Seria ótimo se toda essa energia liberada fosse pra adorar e louvar, a verdadeira alegria de ter liberdade em Deus.
Deveríamos olhar para o nosso interior, não somente nossa alma, mas para o interior do Brasil, onde há vários brasis, cada um com seu histórico próprio.
Ah, que lindo seria, ver um culto na rua, com tambores de maracatu e pífanos, literatura de cordel e embolada, ouvir louvores em frevo, xote e baião. Falar a linguagem do povo, viver com ele, sofrer com ele, chorar e se alegrar com ele. E isso pensando apenas em um contexto regional nordestino.
Somos uma igreja morena, mulata, loira, cafuza, lusitana, nipônica, enfim, uma miscelânea de raças e cores, talvez aqui seja uma prévia do que será na eternidade, onde toda raça, tribo e nação renderão graças o Senhorio de Jesus.
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