Cristianismo saudável

29 julho, 2008

Uma das imagens mais conhecidas da Igreja é que ela é um hospital. O grande problema é que nós, brasileiros, temos como referência o SUS. E a igreja evangélica brasileira seria a versão “gospel” do Sistema Único de Sáude.

O que temos visto é um corpo doente, e ainda ouso diagnosticar, estamos com hanseníase. Sim, a famosa Lepra dos tempos bíblicos. Porque hanseníase? Simples, perdemos a sensibilidade da dor, não a nossa, mas a do próximo. Perdemos o contato, uns com os outros. Não sentimos mais a diferença entre calor e frio, seja ele humano ou espiritual.

O mais importante hoje em dia é a unção, o mover. Seja ele profético ou apostólico. E cresce a massa descerebrada, sem noção da verdade e de vida espiritual medíocre, baseada única e exclusivamente no seu próprio umbigo.

Um tempo atrás, escrevi um post com uma frase que dizia:  “E os evangélicos estão se tornando cada vez mais, seres extraterrestres afetados com uma fé idiota e absurdamente pós-moderna, mesmo sem saberem o que significa isso.” – (Pós-modernidade e ermitões). E fui questionado sobre o que eu queria dizer. Confesso que naquele momento apenas expressei minha ira com a situação evangélica nacional, era apenas um grito de manifesto, um protesto. E fui(re)pensar o que eu escrevi.

Nos tornamos extraterrestres a partir do momento que fugimos, decidimos ficar de fora, da história da humanidade, por achar que assim, seremos santos. Engraçado perceber, que Jesus, sendo santo, interferiu diretamente na história da humanidade, sem temer perder sua santidade. E no cotiadiano, é que vemos a ação do Messias. Em conversas de papo furado em beiras de poço, com pessoas de má fama, com pessoas cabeças duras e religiosas. Pessoas que achavam que podiam apenas dizer, “Senhor eu morro contigo se for o caso”. Tudo da boca pra fora. Porque na hora de ver quem era macho de segurar o rojão, ele foi o primeiro a pular fora. Temos que estar inseridos na política sim, mas também na cultura, nas artes, na publicidade, no carnaval, nos bares da esquina e nas conversas de futebol. Sem querer “gospelizar”, criar sub culturas ou guetos evangélicos. Mas estar inseridos no contexto do dia-a-dia.

Um Cristianismo de café com leite, pão e manteiga.

A fé idiota e pós-moderna, fica por conta do nosso egoísmo, de achar que Deus trabalha pra nós. Somos especiais, somos filhos do Rei. Pregações e manifestações declarando nossa vitória. Mas esquecem de declarar que para se chegar a vitória ou a terra prometida, há um deserto. É uma fé infantil. Ingênua, e até tola. O mais importante nessa história toda, não é o objetivo, mas a jornada. É onde iremos crescer, amadurecer e desenvolver um cristianismo saudável.

Estamos leprosos. Estamos doentes. Mas há cura.

Quando deixamos que o toque daquele que nunca temeu ficar doente, por amor a nós, nos atinja, seremos curados. Quando nossas mentes começarem a entender que não é por mim, mas pelo próximo que devo viver e servir. Quando nossas ações falarem mais alto que qualquer música ou pregação. Quando nos juntarmos com o povo, e de lá, tirarmos os doentes. Sem medo de ficar doentes. Sem medo de tocar nas pessoas, sentido sua dor, suas angústias. Chorando suas tristezas. Aí sim, seremos verdadeiramente um hospital. Seremos enfermeiros. Lembrando sempre, que também estamos doentes, e precisamos diariamente da dose de nosso remédio, uma transfusão de sangue, o mesmo que foi derramado na cruz.

Eu estou doente. Preciso de ti, Senhor. Sempre!

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