Emocores, uma tribo carente de amor

25 agosto, 2008

É um texto um pouco longo, e talvez para alguns entediante, mas muito importante para mim, pois é um desabafo sobre coisas que escutei e tenho visto nesses dias. Não sou fã de Emo nem de suas músicas, mas como cristão, tenho que exercitar o amor. Leiam e tirem suas conclusões.

Em toda sociedade humana, seja ela civilizada ou não, há sempre uma fase da vida conturbada e afetivamente tempestuosa. A adolescência é uma transição, muitas vezes traumática, da infantilidade para a vida adulta, e nesse momento, as pessoas se sentem vulneráveis emocionalmente. Em tribos indígenas, os jovens passam por rituais que publicamente os declaram adultos. É uma maneira fácil e segura de mascarar as dúvidas da puberdade. Mas será que essa espécie de ritual funcionaria nas grandes cidades?

A cada dia, a falta de esperanças, tanto emocionais como pessoais, tem crescido e criado gerações de jovens frustrados com o mundo e a sociedade. O que eles podem esperar para sua vida adulta? E as relações interpessoais e familiares se desgastando cada vez mais, empurrando-os a uma solidão e depressão.

No meio de tudo isso, surgem os amigos e as afinidades, gerando as tribos urbanas.

Segundo Norbet Elias, em A Sociedade dos Indivíduos, “as Tribos Urbanas são grupos de iguais que se organizam em comunidades para garantir sua sobrevivência afetiva durante a passagem para a vida adulta, dentro das sociedades contemporâneas urbanizadas, em que o elevado valor da sobrevivência, na convivência dos indivíduos, marca o rumo da estrutura do homem singular na história da humanidade”.

Ou seja, as tribos urbanas são comunidades de sobrevivência afetiva, onde pessoas que possuem os mesmos gostos, necessidades e frustrações, sentem-se seguras.

Desde os primeiros movimentos jovens, como os Beatniks e Hippies até os mais recentes, como Emocores, tem por base à mesma necessidade de relacionamento, ou falta deste.

Mas o intuito desta reflexão é pensar no grupo Emocore, ou simplesmente Emos.

Historicamente falando, é um grupo muito recente, que carece de mais informações sobre sua origem e regras de condutas, haja vista que há muita especulação e pouca verdade sobre seus comportamentos. O mais especulado é fator emocional, que inclusive dá nome ao movimento. O sentimento para eles é mais importante, o amor e a relação afetiva, estão incluso na maior parte do repertório das bandas Emos, que misturam rock pesado (punk/hardcore) e letras sentimentais.

Segundo a Veja SP em matéria veiculada em 16 de agosto de 2006, declara: “Esse gênero musical dor-de-cotovelo, que virou fenômeno mundial nos últimos anos, surgiu em Washington, nos Estados Unidos, na década de 80. É música feita por adolescentes para adolescentes, cantando frustrações bem típicas dessa fase da vida. No Brasil, principalmente em São Paulo, o emocore foi transformado em estilo de vida por garotos e garotas de 14 a 18 anos, com visual e regras próprios”.

Outra característica dos Emos é a mistura de ícones de outros grupos ou tribos urbanas, nas suas vestes ou atitudes, como por exemplo, bota punk com colares de bolinhas do estilo surfista, camisetas Hello Kitty das patricinhas ou de bandas como os tradicionais roqueiros, cabelos espetados e desfiados com as maquiagens góticas, isso tanto para elas como para eles. Roupas ou acessórios quadriculados dos skatistas, mas o principal ícone dos Emos seja a franja ou cabelos pintados.

Quanto às atitudes, não escondem os sentimentos, expressam abertamente suas emoções, preconizam e praticam a tolerância sexual. É muito comum Emos homossexuais ou bissexuais. Eles se dizem flexíveis quanto a discriminação, tolerantes quanto ao gosto sexual de seus amigos, recriminam a sociedade por ser discriminadora. Para Regina de Assis, doutora em Educação pela Universidade Columbia, a tolerância é o traço de comportamento que distingue os emos de outros jovens, e devido a isso, sofrem perseguições, até mesmo violentas por parte da sociedade e principalmente, de outros jovens.

Com essas informações agora em mente, vem a pergunta: O que a Igreja está fazendo por esses jovens, ou pelo menos deveria fazer?

Em primeiro lugar, algo que é primordial, amá-los.

João 3;16 / I João 3;16 / Romanos 5;8 / I João 4;7 a 11

O amor é a essência do cristianismo e é o próprio Deus. Um dos aspectos principais do movimento Emo é conhecer verdadeiramente o amor, e o único amor verdadeiro vem de Deus. O único, que independente de nossas situações ou de nosso estado emocional e físico, nos ama. E se somos seus seguidores e discípulos, é nosso dever amar incondicionalmente.

Em segundo lugar, dar-lhes uma identidade.

Romanos 8;14 a 16 / Gálatas 3; 23 a 29

O Emo sofre de falta de identidade, pois sua cultura é uma mistura de diversas culturas que durante os anos foram agregadas ao Emocore. Como adolescentes, ainda não sabem o que são, estão em conflito psicológico e emocional. Não querem mais viver na brincadeira, mas também não querem a responsabilidade da vida adulta. Cristo dá a identidade perfeita para cada um e o equilíbrio emocional para entrar na vida adulta. Tornamos-nos Filhos de Deus.

Em terceiro lugar, dar-lhes uma família.

Efésios 2;19 / Marcos 3;35

Muitos vivem em conflito com seus pais, e não aceitam a imposição autoritária de qualquer tipo de liderança. Pastores ameaçam essa liberdade de abertura, se não compreenderem a real necessidade do indivíduo: relacionamento. Criar um local neutro de confiança mútua, não se colocando como superior, mas como amigo, um irmão, gerando um ambiente familiar.

Em quarto lugar, dando segurança.

João 14;27 / Tiago 3;17 e 18

Os Emos sofrem discriminação até mesmo dentro de suas casas, muitas vezes, até violenta. Qualquer tipo de piadinha ou intolerância pode afastar um Emo do convívio do grupo. O maior conflito emocional, lembrando que são adolescentes, é justamente a transição para a vida adulta. Se eles reconhecerem que estão em um ambiente seguro, podemos ajudá-los nessa transição.

Em quinto lugar, dando-lhes uma esperança.

Romanos 5;5 / Colossenses 1;5

A falta de perspectiva gera frustração e depressão. E a maioria dos grupos pós-modernos tem como característica esses sentimentos, portanto, não poderia ficar de fora os Emos. Jesus é a nossa esperança. Através dele podemos observar uma nova vida, uma nova perspectiva.

Ainda saliento que todo esse trabalho é dependente da Graça (II Coríntios 4;15), a qual todos somos necessitados, emos, homens, mulheres, homossexuais e pastores, porque todos nós necessitamos do amor de Deus e de sua salvação ( Romanos 3;23), pois não há ninguém que seja melhor do que outro, e aquele que acredita que não vai cair, que tenha cuidado, pois já caiu nas garras do orgulho e presunção (I Coríntios 10;12 e Tiago 4;6)

Que Deus seja por nós.

7 Respostas to “Emocores, uma tribo carente de amor”


  1. Otimo texto, que DEUS continue te dando graça para dividir conosco como o fez nesse post. Abraço

  2. luna Says:

    Obrigado Reginaldo, enquanto um inconformismo “santo” bater no meu coração, escreverei textos como esse; não posso crer que líderes e pastores simplesmente magoam e ferem pessoas, só pq são emo ou coisas parecidas, sem antes conhece-los, entende-los e ama-los. Creio piamente que Jesus estaria no meio deles, falando do amor do Pai, e o Espírito Santo é que moveria os corações e os transformaria. Não sou eu, e nem ninguém, que tem o poder de mudar um coração. Deus nos deu apenas o ministério da reconciliação, mais nada, todo o trabalho pesado é dele. E a graça também. Deus te abençoe.

  3. Daniela Says:

    Otimo texto.Que você continue assim,escrevendo textos maravilhosos que contribui para o aprendizado das pessoas
    obrigada…
    bjuz*x

  4. luna Says:

    Obrigado Daniela, e seja sempre bem vinda ao blog, e fique a vontade…..

  5. matheus Says:

    Amohh de maixx bandas emocores tenhu algumas bandas no meu blog entrem lá

    bandasemocores.blogspot.com

    tenhu tudo sobre bandas emocores!!hehehe

  6. troll Says:

    emocore é o caralho HEAVY METAL \m/


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