O caráter do discípulo

18 setembro, 2008

“Reputação é o que você faz quando todos olham. Caráter é o que você faz quando ninguém está olhando.”

Parke Kalhenberg

Recentemente Robinson Cavalcanti, bispo anglicano escreveu um texto, longo, mas de muito proveito com o tema “quando os crentes davam certo” (para ler clique aqui). E o que podemos ver, na maioria das citações feitas por ele é a mudança de caráter das pessoas que se convertiam ao evangelho, incentivadas pela comunidade, e é algo que não ocorre tanto hoje em dia. Para começar vamos entender o que é caráter.

“Em psicologia, é o termo que designa o aspecto da personalidade responsável pela forma habitual e constante de agir peculiar a cada indivíduo; esta qualidade é inerente somente a uma pessoa, pois é o conjunto dos traços particulares, o modo de ser desta; sua índole, sua natureza e temperamento. O conjunto das qualidades, boas ou más, de um indivíduo que determinam a conduta e a concepção moral; seu gênio, humor, temperamento, este, sendo resultado de progressiva adaptação constitucional do sujeito às condições ambientais, familiares, pedagógicas e sociais. O caráter sofre as influências pelo meio em que é submetido. São os acontecimentos posteriores, somados com o tipo de pensamento desencadeado no interior da mente e o entendimento sobre si próprio e as suas capacidades, que geram o caráter e os caminhos traçados adiante”.[1]

Ou seja, todos nós temos caráter, pois faz parte de nossa personalidade, e Deus deseja que sejamos homens e mulheres, com o caráter segundo o seu Espírito, à semelhança de Jesus. Conforme diz em Gálatas 5:22 sobre o fruto do Espírito, esse é o caráter transformado do cristão. Mas o que tenho visto é a rejeição da transformação, ou por ser dolorosa ou por ser difícil, em favor da quantidade (número) de pessoas dentro de um templo, ou a acomodação mental de uma liderança medíocre, que prefere fórmulas “bem sucedidas” e metodologias importadas ao trabalho diário de moldagem do caráter do discípulo, com certeza, muito mais laboriosa e sofrida.

Durante a jornada da nossa vida, vamos assimilando conceitos e idéias, assim como os fatos e acontecimentos também influem na formação do nosso “eu” e a nossa visão do mundo. Tais pensamentos formam o caráter e orientam escolhas futuras. E quanto mais se apoiar em uma idéia, mais ela vai se fixando na mente, até parecer imutável ou algo já predestinado. São pensamentos esses, simplistas e menos elevados, que orientaram (e orientam) o indivíduo a acreditar que o criminoso é sempre criminoso, que o burro é sempre imbecil, o inteligente é e sempre foi inteligente (isto é, não necessitou de fazer esforço), que o forte não se fez forte. Daí pensamentos simplistas crêem que o ser humano nasce com o caráter pronto. Um erro na realidade.

Pois, o caráter é mutável, mas há de se operar com muita persistência (contra o desânimo inicial das dificuldades e resultados ruins), conhecimento, dedicação e paciência tanto do discípulo, quanto do discipulador. Pois para mudar deve-se agir no âmbito dos pensamentos, e não apenas nas atitudes, conforme o que diz o apóstolo Paulo em Romanos 12:2. Mudar a atitude sem mudar o pensamento, é um risco, pois a atitude inicialmente diferente tenderá a voltar à anterior para se tornar coerente com o pensamento que não saiu do lugar. Daí, o indivíduo deprime-se ou acredita em seu destino, deixando de lado, todo o trabalho elaborado para a transformação. Por tanto, para alcançar o sucesso na formação de um discípulo e consequentemente, em um cristão maduro, a mudança do caráter é essencial, e passa pela mudança do pensamento – e esse é absolutamente difícil, pois acarreta a abrir mão de vícios, de ter energia crescente para buscar idéias e conhecimentos novos a serem adquiridos, demonstrados primeiramente pelo discipulador e pela liderança da igreja. Mas será que estamos dispostos a sujar nossa mão, e deixar escorrer o suor do trabalho de formar cristãos sérios e maduros espiritualmente?



Uma resposta to “O caráter do discípulo”

  1. Jadson Says:

    Quem é Parke Kalhemberg?


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