Sensibilidade e sensações

1 outubro, 2008

Estou transcrevendo os relatos de uma experiência que ocorreu no Projeto 242 em SP, do meu amigo Sandro Baggio, só há um fato triste, eu gostaria de estar lá, estou precisando rever minhas práticas devocionais. Acho que seria um ótimo momento pra eu pensar nisso.

É incrível como é muito mais fácil falar contra a religiosidade do que viver uma vida livre dela. A gente fala sobre cultos sem liturgia alguma, adoração como estilo de vida e espontânea, dizemos que a igreja são pessoas e todas essas coisas, mas então acontece algo que coloca à prova nosso discurso e aí é que percebemos o quanto nossas palavras são (muitas vezes) expressões vazias que usamos para parecer cristãos pós-modernos (ou então livres do tal “Cristianismo pagão”). Além disso, entendemos que todos somos ministros, acreditamos no sacerdócio universal dos cristãos, mas ainda assim parece que na prática, somos muito dependentes dos “ministros” (de louvor, de ensino, etc.). Bom, por estas e outras, decidimos aprontar para as pessoas que frequentaram nossas reuniões esse domingo com um culto DIY (do-it-yourself ou seja, faça você mesmo) no Projeto 242. Era algo que eu havia pensado meses atrás e decidimos experimentar. As pessoas foram pegas de surpresa e foi interessante ver suas reações (abaixo estão algumas fotos da experiência).

À medida em que as pessoas chegavam, elas eram informadas de que o culto seria diferente e que, basicamente, elas iriam ficar livres para passar por quatro estações montadas no local: confissão, leitura, oração, adoração & expressão. Elas não precisavam seguir nenhuma ordem e não precisavam passar por todas as estações também, se não quisessem.

Uma das estações era voltada para a leitura. Havia um texto de Oswald Chambers extraído do devocional Tudo Para Ele (Editora Betânia), instruções sobre as práticas da Lectio Divina e do Ofício Divino, e um plano de leitura bíblica. Além disso, deixamos também algumas bíblias e livros devocionais para as pessoas lerem (dentre os devocionais havia o famoso Mananciais no Deserto, o Pão para o Caminho de Henri Nouwen, Orando em Família e um devocional do Dr. Martin Lloyd Jones). Nosso desejo era que aqueles que não possuem o hábito de uma leitura devocional diária pudessem ganhar um incentivo para iniciar essa disciplina em suas vidas.

Havia um canto escuro para oração. Era um local que buscava dar a idéia da intimidade da oração devocional. Jesus disse: “Vá para seu quarto e ore ao seu Pai que está em secreto.” Evidentemente podemos e devemos orar em todo o tempo, lugar e com diversas posturas. Mas muitos deixam de lado esse momento íntimo a sós com Deus que deveria fazer parte de sua jornada espiritual.

Na estação da confissão, tínhamos papel e caneta para as pessoas escreverem seus pecados e depois queimarem numa pequena pira. Evidentemente não é algo que você precisa fazer todo dia (escrever e queimar), mas para aquele momento pensamos que seria uma forma prática de salientar a necessidade da confissão diária.

Tinha também uma área para adoração & expressão. Falamos muito sobre adoração como um estilo de vida, mas ainda assim quando somos convidados a expressar nossa adoração sem música, ficamos meio sem jeito e não sabemos bem o que fazer. Nesta estação, as pessoas eram encorajadas a colocar em palavras ou desenhos expressões de adoração a Deus. Os Salmos que lemos em nossa Bíblia foram registrados um dia, por isso encorajamos as pessoas a escreverem seus próprios salmos e orações a Deus.

Tentamos encorajar as pessoas a deixarem sua pincelada em uma pintura coletiva, mas muitos ficaram tímidos e passaram “de largo” desse local. É muito difícil convencer adultos de que todos somos artistas…

O propósito da experiência era que as pessoas pudessem colocar em prática algumas disciplinas espirituais que deveriam fazer parte de sua vida diária com Cristo. Para aqueles que já praticam essas disciplinas, foi mais natural (após o choque inicial) entrar no clima e apresentar seu culto racional a Deus. Para outros, foi um desafio e espero que eles tenham despertado para algumas realidades da vida cristã.

Mais fotos e comentários no blog do Hudson Parente, Poesia no Caos.

Uma resposta to “Sensibilidade e sensações”


  1. idéia genial!
    fico imaginando o impacto das pessoas
    numa sala de adoração sem música.


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