A teoria dele e minha sobre instituição

8 outubro, 2008

O Sandro Baggio postou em seu blog, um texto falando sobre instituição. Ele coloca de uma maneira, que é o modo como eu creio, por isso, resolvi replicar aqui esse texto. Aproveitem!

Quer se admita ou não, a vida humana é cercada de instituições (formais ou informais). A própria palavra instituição vem do latim institutio que significa criação, formação (em sua forma verbal, instituir significa dar começo a, estabelecer, criar, instaurar). No entanto, encontro um monte de pessoas falando, escrevendo em livros e blogs por aí, que para se voltar à fé autêntica e pura de Jesus e da Igreja Primitiva, é preciso abandonar toda e qualquer forma de instituição. Elas pensam que a revolução está nisso, que isso é ser revolucionário. É quase como se a instituição fosse a raiz de todos os males do Cristianismo e um tropeço para um discipulado verdadeiro e para a expansão do Reino de Deus. Inclusive, em minha opinião, esta é uma das escorregadas que o autor de A Cabana cometeu quando coloca Jesus em seu livro como sendo anti-instituição. Este é também um dos escorregões de Cristianismo Pagão de Frank Viola e George Barna (Ben Witherington , erudito bíblico e professor de NT do Asbury Theological Seminary, fez uma série de excelentes reviews do livro em seu blog recentemente, expondo alguns dos equivocos ali contidos).

Gordon MacKenzie em seu fantástico livro Orbiting the Giant Hairball compara instituições com bolas de pelos. Como se forma uma bola de pelo? Tudo começa com dois pelos, depois mais um e mais um, assim por diante. Basicamente, usando a teoria de MacKenzie, quando você coloca duas pessoas juntas, você tem uma instituição (seria o casamento a primeira instituição humana?). Quanto mais tempo essas pessoas passarem juntas, quanto mais coisas elas fizerem, quanto mais planos tiverem, maior vai ficando a instituição formada entre elas. Agora quando você aumenta o número de pessoas, aí a “bola de pelos” vai ficando cada vez maior e mais complexa. Ou seja, é simplesmente impossível viver em relacionamento com outra(s) pessoa(s) sem nenhuma forma de instituição. Mesmo aqueles grupos pequenos informais que romperam com a “Igreja Instituicional”, buscando viver uma vida cristã “pura”, acabam virando uma instituição no momento quem começam a se reunir (quer admitam isso ou não).

Albert Nolan, padre dominicano sul-africano famoso por seu livro Jesus Antes do Cristianismo (1976), diz o seguinte em seu livro recente Jesus Hoje: Uma Espiritualidade de Liberdade Radical (2006) da Editora Paulinas: “Seria errado pensar que Jesus rejeitava, pura e simplesmente, a instituição religiosa do seu tempo.  Jesus respeitava a instituição como tal, respeitava a ‘cátedra de Moisés’ (Mt. 23.2), e até se pode dizer que ele amava todos os que faziam parte dela. No entanto, rejeitava completamente a forma como ela era usada e como dela se abusava para oprimir o povo (Mt. 23.3-4)… Jesus não era anarquista, no sentido de pensar que podia viver sem qualquer tipo de estrutura hierárquica.” (grifo meu) Eu concordo com ele. De fato, acho uma tremenda ingenuidade rejeitar pura e simplesmente a instituição e toda e qualquer forma de hierarquia.

Já expressei isso antes em outro post, mas novamente creio que, visto que é praticamente impossível viver em comunhão sem nenhuma forma de instituição (formal ou informal), o problema não está na instituição em si, mas em colocá-la acima das pessoas (fazendo com que algo que foi criado para servir às pessoas acabe invertendo-se de lugar). Para utilizar uma frase de Ojo Taylor da banda de punk rock Undercover na abertura de seu álbum ao vivo 3-28-87: “Quando a instituição se torna autoperpetuante, as pessoas se tornam secundárias.” Isso sim é mal e deve ser rejeitado.

Por outro lado, quando eu penso em alguns dos cristãos mais revolucionários da história, gente como São Francisco de Assis, Lutero, John Wesley, Madre Tereza, Martin Luther King Jr. e o próprio Billy Graham, nenhum deles pensava que a instituição fosse um estorvo para que alcançassem seus sonhos revolucionários. Eles simplesmente viveram por uma Causa maior, usando a instituição, quando muito, por aquilo que ela deve ser: apenas uma estrutura. O problema é que tem tanta gente preocupada em encontrar na instituição o grande demônio, que acaba deixando de viver a vida mais profunda que tanto deseja. Gordon MacKenzie sugere uma relação de órbita ao redor da instituição, tomando o cuidado para não ser sulgado por ela e, ao mesmo tempo, não se distanciando dela a tal ponto de ficar perdido no espaço. Eu penso que esse é um bom caminho a ser seguido nessa relação que parece ser tão complicada.

3 Respostas to “A teoria dele e minha sobre instituição”


  1. ja tinha lido lá. gostei do texto e refleti
    sobre como costumamos tentar destruir
    aquilo em que não acreditamos ou que,
    na nossa opnião, não está dando certo.

  2. Robson Ferr Says:

    Muito positiva a sua abordagem sobre instituição e concordo 100% com ela, só acrescentaria o fato de que o problema não é exatamente a instituição em si mas a institucionalização (bola de pêlo).

    Ora, Jesus mesmo disse que o evangelho é como o vento, Ele mesmo dissera que ninguém sabe de onde vem nem pra onde vai e dissera isso pq era Hebreu, nômade, andarilho.

    Teoricamente Ele instituiu padrões éticos mas não institucionalizou nenhum deles, quem fez isso foi Constantino no século XVI se não me engano, e por isso derramou muito sangue, ora, tudo isso unicamente para poder depor o papa da época que não permitia o seu divórcio, mas isso é outra história…rs

    Então acredito que quando se diz não a instituições na verdade se quer dizer não a institucionalizações, e você há de me dar razão que as instituições evangélicas antigas estão todas institucionalizadas há muito tempo, necessitando de uma revolução do vento, que sopra aonde quer.

    Agora, claro, com um mínimo de organização.

    Paz.

  3. CELIO Says:

    É uma pena que mesmo tendo uma clareza tão grande em suas palavras, irm~”aos como DARBY, NEE e VIOLA muitos ainda estão cegos em suas próprias visões humanas e que afastam a igraja do SENHOR.
    A instituição é obra de mãos humanas e se regem por doutrinas e disciplinas humanas, baseadas em preceitos humanos. A verdadeira igreja não se institui porque já foi formada no seio do SENHOR e é marginal. Ela não faz parte da história oficial, não está nos livros dos cartórios e dos homens, mas está se reunindo de casa e casa sem preocupação em aparecer ou ser, pois se contenta em ser guiada apenas pélo ESpirito Sant.
    Que tem olhos para ver que veja!
    CELIO


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: