Fim de um, começo de outro

8 janeiro, 2009

Sempre no começo de um ano, as pessoas ficam reflexivas, pensando nos projetos futuros, sonhos e desejos. Mas hoje fui tomado de uma nostalgia, de memórias que marcaram minha vida e até mesmo minha personalidade. Talvez depois deste post, algumas pessoas vão entender o porquê de muitas de minhas atitudes.

Lembro da minha infância, no bairro do Ipiranga, o mesmo que Dom Pedro proclamou a Independência. São Paulo nessa época, isso lá pelos anos 70, era realmente a cidade da Garôa e nesse época, havia um pudor moralista, mesmo eu como criança não saia à rua sem uma camiseta ao menos. Aparecer só de calção? Impossível.

Fui crescendo, e lembro também, das mentiras inocentes criadas para burlar mães. Dizia muitas vezes que ia para Educação Física na escola e na realidade ia para Fliperamas ou para uma Loja de Autorama que tinha perto de casa. Mas acredito que minha mãe fingia que acreditava em mim, porque por diversas vezes ela me via perambulando pela rua.

Foi a época dos primeiros bailinhos. Dançar colado, agarradinho àquela menina que a gente queria namorar. Palavras ditas, ou melhor, sussuradas no ouvido delas. Havia uma inocência, uma pureza. Mesmo que nossos pensamentos não o fossem, mas havia um respeito pela pessoa.

No final da minha oitava série, fomos para Foz do Iguacú. E muitas aventuras aconteceram nessa viagem. Muitos namoros começaram ali. Outros terminaram. Depois disso, cada um para o seu lado. A turma que durante anos, para ser mais exato,  9 anos, andava junta agora estava dividida. Já era os anos 80. Muito surfe, skate e rock’n’roll. Era a época do lançamento de um disco de capa bonita que me chamou muita a atenção. A foto de um castelo, músicas de letras fortes e batida emocionante. O nome da banda era esquisito: U2. Jovens, como nós, que apenas desejavam mudar o mundo com suas músicas. Ai vieram titãs, legião, the cure, smiths.

Eu já estava no colegial (hoje é o equivalente ao ensino médio). Tinha meus gostos firmados, conheci uma nova turma. Foi o momento de viver a vida intensamente, apesar dos meus 16 anos.  Pichações de muro, mulecagens, pequenos furtos de supermercados e não tão pequenos de placas de trânsito. Baladas aos sábados, saía as 8 da noite e voltava as 6 da manhã de domingo.

Aí um novo ciclo se inicia. Quartel. Força Áerea, disciplina. De menino para um homem. Também uma nova visão de fé se inicia. Nasci para a vida, física e espiritual.

Perdi grandes amigos. Ganhei grandes amigos. Esqueci nomes, lugares. Meus cabelos estão branqueando. Não tenho mais as mesmas forças de antes. Mas minha mente ainda reflete o mesmo desejo, a mesma ânsia pela vida de quando eu escutei pela primeira vez, Sunday bloddy Sunday. Quando pela primeira vez, senti na pele a injustiça do poder. E ainda desejava a inocência das tardes perdidas com jogos de voley, e comendo bombas de chocolate com Coca cola caçulinha para matar a fome. Onde melancia, jaca, melão e mamão só eram encontrados nas feiras livres. Cachorra era a fêmea do cachorro…

É, hoje estou saudosista mesmo. Quase choro escrevendo essas linhas do meu passado. Talvez nunca envelheci. Não por dentro. Se é que há um lado de dentro para nós. Lá dentro de mim, ainda há um jovem, pulando, doido para sair correndo, imitando Menudos, que sentia na boca a sensação de mascar um chiclete que tinha uma gosminha dentro, e errava ao pronunciar o nome dele, pois era tão novo, que não havia comercial dele.

Que o único caos que ele conhecia, era o nome da turma que ele fazia parte, juntando as iniciais de cada membro (CALS). Se estou ficando velho? Não creio. Acho que é o mundo que está ficando chato. Com jogos virtuais, sem contato físico. Redes sociais, scraps, msns, e outras coisas.

Na minha época, não tínhamos computador, quem me dera ter msn. Nem celular tínhamos. Mas uma coisa nunca falhou. Mesmo cada um da turma morando em pontos diferentes do bairro, a gente conseguia pegar o mesmo ônibus para ir ao shopping.  E ainda era o bom e velho Ibirapuera. Fazia muita bagunça, todos juntos, no fundo do ônibus.

Realmente, é o fim de um tempo para mim, e ínicio de outro. Não exatamente mudança de 2008 para 2009. Mas uma mudança de pensamento, mudança de hábitos, de sonhos, de perspectivas. Mas sempre com um pezinho lá atrás, na inocência e pureza da puberdade. Um desejo de querer resgatar um tesouro perdido.

E com certeza, irei resgatar. Aguardem.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: