Ser ou não ser? Eis a questão.

4 março, 2012

Lembro-me dos meus dias de soldado da aeronáutica, e nesta época era justamente um período de transição para mim, tinha acabado de me converter a Cristo, e essa conversão foi posta a prova justamente no quartel. Lá, não éramos julgados apenas por sermos homens ou não, mas também em nossas crenças.

Não havia espaço para trôpegos, pessoas que viviam vidas duplas. Ou você era católico ou não, ou era espírita ou não, ou era crente ou não, não havia espaço para os “quase” ou que viviam pela metade.

E isso de certa forma foi benéfico para mim, afinal, ou você é ou não é, e eu tive que ter convicção do que eu era, mesmo que a força. E o que eu percebo hoje nos jovens, e até mesmo em pessoas mais velhas, a falta da convicção.

Pelo dicionário, convicção é certeza adquirida ou persuadida.

Vamos a algumas perguntas simples:

– Você sabe quem você é?

– Você sabe o que você tem que fazer?

– Você sabe para onde vai ao fim de tudo?

Perguntas simples de mais não? Mas se você teve dúvidas em apenas uma, não tem convicção. Estamos falando de nossas vidas espirituais, pois somos seres espiritualizados (pelo menos penso que sim).

Outro dia estava assistindo pela TV à cabo um filme lento, chato e muito longo, que falava sobre a guerra de secessão dos EUA (Deuses e Generais), porém uma cena foi muito marcante para mim. Depois de mais uma batalha (onde você não entende nada pela confusão das cenas), o General Jackson é indagado por um de seus subordinados:

“General, o senhor fica firme na batalha, imóvel, com uma postura serena e tranquila, não teme ser atingido por uma bala?”

“Meu caro, só quem sabe o dia da minha morte é Deus, a mim cabe apenas estar preparado para ela.”

Como diria Neo (Keanu Reaves) no filme Matrix, isso foi como um espeto cravando na minha mente, incomodando-me até chegar ao pensamento da convicção, pois era isso que esse general disse, ele tinha convicção do que ele era, o que tinha que fazer e para onde ia ao fim de tudo.

Convicção. Ter a certeza de ser filho de Deus, mas não como é o pregado hoje em dia, de uma maneira usurpadora, interesseira, buscando seus próprios interesses e sua autojustiça, como mauricinhos e patricinhas espirituais, achando que seu berço de ouro irá abrir portas e oportunidades, querendo ganhar o jogo (da vida) no grito e na ostentação, como prova de que o “Papai” está aprovando tudo que fazem. Ser filho de Deus, tendo como exemplo Jesus, que sofreu para alcançar a vontade do Pai. Ter a convicção que o sofrimento é uma ferramenta para lapidar o caráter, e não prova de pecado. Que os prêmios ou benefícios virão da parte de Deus, e não dos homens. Ter a convicção que tudo que temos e somos, vem de Deus. Tudo é dEle, para Ele e por Ele.

Convicção.  Ter a certeza que todos os nossos atos devem refletir a glória de Deus, que todos nossos pensamentos e atitudes devem ser para agradá-lO, como o apóstolo Paulo diz em uma de suas cartas – “quer comais, quer bebais, fazei isto para a glória de Deus”. É nos prepararmos para o porvir, uma palavrinha pouco falada e pregada hoje, a jornada do cristão é se preparar para entrar na Jerusalém celestial. Recomendo a leitura do livro O Peregrino, antigo, mas muito atual (aliás, atualíssimo).

Convicção. Ter a certeza que o caminho escolhido o levará direto para as portas da Nova Jerusalém, aliás, portas estreitas. Se o caminho o deixou “gordo” demais, você corre o risco de não conseguir entrar. A autoglorificação costuma deixar as pessoas inchadas de tanta soberba, sem a flexibilidade espiritual necessária para reagir face os contratempos do caminho, geralmente preferem ficar estáticas diante de uma pedra de acomodação, sem perceberem que essas pedras foram postas justamente para que aprendamos alguma coisa e possamos prosseguir, de glória em glória, até alcançarmos a estatura de varão perfeito. E esse triátlon espiritual é que nos deixará capacitados a passarmos pela porta.

Em outras palavras, se você não tem convicção, você está apenas passeando por este mundo, e não tem noção para onde vai. Em Eclesiastes, diz que só o tolo trabalhando tanto, fica tão esgotado que nem sabe o caminho de casa. Vejo muitas pessoas tão preocupadas em agradar pastores, líderes ou ministérios, trabalham, trabalham, trabalham tanto, que esquecem que o objetivo da vida cristã é estar preparado para chegar à nossa casa celestial. O trabalho faz parte, mas só ele não garante nada, ele por si só não traz convicção.

Estar na igreja, trabalhar incansavelmente e agradar a homens não nos dá convicção da vitória, mas ter convicção do que somos, vai nos mostrar o que temos que fazer e nos dará a certeza do sucesso.

Como Jesus na cruz, – “ a Ti, Pai, entrego minha alma” – Pai, sou teu; guia-me.

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